Quando pensamos no Sertão, a imagem que geralmente vem à mente é a de paisagens áridas, isolamento e uma vida marcada pela resiliência. Mas e se disséssemos que existe um lugar pulsando com uma nova narrativa, tecida por encontros, saberes e uma hospitalidade que desarma? No coração da Paraíba, a região do Vale dos Sertões está revelando uma alma vibrante, onde o turismo é sinônimo de cultura viva, conexão humana e histórias profundas. Este não é um roteiro sobre lugares, mas sobre encontros. A seguir, vamos revelar algumas das descobertas mais impactantes que esta região oferece, convidando você a ver o Sertão com outros olhos.
Aqui, o turismo é sobre pessoas, não apenas lugares.
No Vale dos Sertões, as experiências mais ricas não estão em monumentos, mas em conversas. A viagem se transforma em um encontro com os guardiões da memória local, pessoas que abrem suas portas e corações para compartilhar a alma da região. Em Cajazeirinhas, por exemplo, a experiência é sentar-se com Dona Maria Dezuita e ouvir a história da Paróquia Nossa Senhora da Conceição através de quem a viveu. Ou ser recebido na casa do Professor Jânio para uma aula particular sobre a história do município, contada com a paixão de quem é parte dela. Essa abordagem transforma o turismo em algo profundamente humano, onde a conexão vale mais do que a foto.
A vivência humana e afetiva com uma guardiã da fé local, que transforma sua própria história em testemunho vivo da devoção sertaneja, oferecendo ao visitante uma conexão autêntica com a espiritualidade, a memória e o sentimento coletivo da comunidade.
Os Quilombos oferecem imersões culturais de um dia inteiro.
Esqueça a ideia de uma visita rápida a uma comunidade tradicional. No Vale dos Sertões, a proposta é de imersão total. A “Vivência Quilombola dos Rufinos”, em Pombal, é o exemplo perfeito disso: um programa completo que dura das 9h às 17h. A jornada inclui oficinas de cerâmica e um almoço típico, mas seu verdadeiro tesouro está nos encontros: entrar na autêntica casa de taipa do Sr. Nego Lauro, ouvir as histórias religiosas com a Tia chica e de luta e memória de Tia Dora e assistir a apresentações de Capoeira, Ciranda e Pontões. Conduzida pelos próprios moradores, a experiência não é uma encenação, mas um compartilhamento genuíno que revela a força da identidade quilombola.
O grande diferencial da Vivência Quilombola dos Rufinos é proporcionar uma imersão completa e sensorial na ancestralidade viva do Sertão, conduzida pelos próprios moradores, que compartilham saberes, memórias e manifestações culturais em um ambiente autêntico e acolhedor — onde cada história, sabor e ritmo revelam a força da resistência e o orgulho da identidade quilombola.
Uma antiga prisão virou o coração cultural da cidade.
A Casa da Cultura de Pombal é um dos símbolos mais poderosos de ressignificação que você encontrará. O que antes era a Cadeia Pública, uma edificação do século XIX marcada pela reclusão e pelo silêncio, hoje é um pulsante ponto de memória e identidade. Essa transformação é mais do que arquitetônica; é um testemunho de como uma comunidade pode honrar seu passado para construir um futuro mais livre. O espaço, com entrada gratuita, oferece exposições, acervo histórico e visitas guiadas, convertendo um símbolo de opressão em um lugar de liberdade cultural, educação e pertencimento para todos.
Você não é apenas um espectador, mas parte da arte.
No Vale dos Sertões, a cultura não é algo para ser apenas assistido, mas vivido. A experiência “Versos do Sertão – Cantoria com Eduardo Souza & Iran Silva”, em Pombal, quebra a barreira entre artista e público de forma genial. Aqui, o visitante não é um mero espectador; ele participa ativamente ao sugerir os “motes” (temas) que inspiram os improvisos poéticos dos repentistas. Cada verso é criado na hora, a partir da sua ideia, tornando cada apresentação um espetáculo único de criatividade e ritmo. Sua memória de viagem não é uma foto de uma apresentação; é o eco de um verso que você inspirou, uma obra de arte passageira que só existiu naquele momento, cocriada por você.
O Sertão está no mapa do turismo religioso nacional com um novo mega-santuário.
No alto da Serra de Furnas, em Malta, um novo e grandioso templo católico está mudando a paisagem e o futuro da região. O Santuário de Deus Pai Todo-Poderoso, com capacidade para 3 mil pessoas, já se posiciona como um dos maiores destinos de turismo religioso do Brasil. Mais do que sua imponência, o que emociona é sua história: foi construído ao longo de quase dez anos pela força e união da comunidade. Este santuário não é apenas um marco arquitetônico, mas um poderoso símbolo que projeta o Vale dos Sertões como um polo de fé em escala nacional.
O Santuário de Deus Pai Todo-Poderoso se destaca como o maior símbolo contemporâneo da fé sertaneja, unindo grandiosidade arquitetônica e devoção popular.
Um Convite para Sentir o Sertão
Viajar pelo Vale dos Sertões é trocar a fotografia pela conversa, o monumento pelo encontro, e a paisagem pela memória viva. Aqui, o Sertão deixa de ser um lugar no mapa para se tornar uma teia de relações humanas: a fé de Dona Maria Dezuita, a resistência de Tia Dora no quilombo, a poesia instantânea de Eduardo e Iran. A viagem não é sobre o que você viu, mas sobre de quem você se lembrará. Longe dos estereótipos, o que se encontra é um Sertão de alma vibrante, acolhedora e cheia de histórias para contar.
Depois de descobrir tudo isso, o que a palavra “Sertão” significa para você agora?
Quer saber mais: https://linktr.ee/ValedosSertoes

































