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Fórum na FIT Pantanal 2026 consolida Mato Grosso como referência nacional na agenda do etnoturismo indígena

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Evento “Descubra Mato Grosso – Etnoturismo 2026” reuniu instituições, lideranças indígenas e especialistas para debater governança, anuência e caminhos para uma operação sustentável

A FIT Pantanal 2026 foi palco de um momento histórico para o turismo de Mato Grosso e para a agenda nacional do etnoturismo indígena. Realizado no Auditório das Árvores, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá/MT, o Fórum “DESCUBRA MATO GROSSO – ETNOTURISMO 2026” reuniu lideranças indígenas, representantes institucionais, gestores públicos, parceiros estratégicos, especialistas e atores do trade turístico em torno de um tema fundamental: “Etnoturismo: governança, anuência e caminhos para uma operação sustentável”.

O encontro marcou um avanço importante na forma de discutir o turismo indígena no Estado. Mais do que apresentar atrativos ou experiências isoladas, o Fórum propôs uma reflexão técnica, institucional e comunitária sobre como estruturar o etnoturismo com segurança jurídica, protagonismo indígena, planejamento, respeito cultural, repartição de benefícios, organização territorial e sustentabilidade.

A programação foi organizada em dois grandes momentos. O primeiro foi o Painel Temático, com falas institucionais voltadas à governança, anuência, políticas públicas, apoio técnico, segurança jurídica, fomento e caminhos para viabilizar operações sustentáveis. Na sequência, foi realizada a Vitrine Mato-Grossense do Etnoturismo, espaço dedicado ao protagonismo das comunidades indígenas e de seus representantes, que apresentaram experiências, territórios, avanços, desafios e perspectivas para o desenvolvimento da atividade.

A dinâmica do evento demonstrou, na prática, que o etnoturismo não pode ser tratado apenas como produto turístico. Trata-se de uma agenda que envolve território, cultura, identidade, autonomia comunitária, instrumentos normativos, mercado, qualificação, infraestrutura, parcerias e respeito aos modos próprios de organização dos povos indígenas. O Fórum reforçou que, para ser sustentável, o turismo indígena precisa ser construído com as comunidades, e não apenas sobre as comunidades.

Um dos pontos centrais do debate foi a importância da Instrução Normativa nº 03/2015 da Funai, que estabelece normas e diretrizes para a visitação turística em terras indígenas. A norma orienta que as atividades sejam desenvolvidas por meio de Plano de Visitação, com base comunitária e sustentável, nos segmentos de etnoturismo e ecoturismo. Esse instrumento é essencial para garantir segurança às comunidades, aos visitantes, aos operadores, aos parceiros e às instituições públicas envolvidas.

Durante o Fórum, ficou evidente que a anuência da Funai e o Plano de Visitação não devem ser vistos como barreiras burocráticas, mas como ferramentas de proteção, organização e fortalecimento da atividade. Eles ajudam a definir regras de visitação, capacidade de recebimento, responsabilidades, conduta dos visitantes, gestão de resíduos, primeiros socorros, controle de ingresso, repartição de benefícios, monitoramento e medidas de prevenção de impactos ambientais, sociais e culturais.

A Vitrine Mato-Grossense do Etnoturismo deu visibilidade a experiências e territórios indígenas que vêm construindo caminhos importantes no Estado. Representantes de iniciativas em Barra do Bugres, Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis e Brasnorte, povos Balatiponé, Haliti-Paresí, Rikbaktsa, Mykye Manoki puderam apresentar suas trajetórias, reforçando que Mato Grosso possui diversidade cultural, potência territorial e lideranças preparadas para avançar de forma organizada nessa agenda.

O evento também evidenciou que o etnoturismo indígena pode gerar benefícios diretos e indiretos às comunidades, desde que conduzido com planejamento e governança. Entre os benefícios diretos estão a geração de renda para condutores, artesãos, cozinheiras, jovens, anciãos, grupos culturais e associações comunitárias. Entre os benefícios indiretos estão a valorização cultural, o fortalecimento da autoestima coletiva, a permanência dos jovens no território, a proteção dos saberes tradicionais, a melhoria da organização comunitária e o fortalecimento do diálogo com políticas públicas.

A realização do Fórum também foi uma demonstração de maturidade institucional da FIT Pantanal 2026, que abriu espaço para uma pauta estratégica, sensível e profundamente conectada ao futuro do turismo brasileiro. A coordenação da FIT Pantanal merece reconhecimento pela iniciativa e pela visão ao inserir o etnoturismo indígena em um espaço de alta visibilidade, contribuindo para que Mato Grosso se posicione nacionalmente como território de inovação, diversidade cultural, sustentabilidade e protagonismo indígena.

Também merece destaque a assertiva escolha do mediador técnico do Fórum, Sidnei Varanis, que se dedicou à organização, articulação e condução deste importante evento. Sua atuação foi essencial para dar unidade metodológica à programação, conectar os diferentes blocos de convidados, valorizar as falas institucionais e garantir o devido protagonismo às lideranças indígenas presentes.

Sidnei Varanis é administrador, consultor de turismo e especialista em desenvolvimento territorial, com mais de 30 anos de atuação no setor. É sócio da Ícone Consultoria em Turismo, CEO da Varanis Tecnologia e presidente do Instituto Varanis. Possui ampla experiência em projetos de turismo de base comunitária, etnoturismo, governança turística, inventários, planos de turismo, estruturação de experiências, capacitação, inteligência turística e articulação institucional. Ao longo de sua trajetória, atua em consultorias para Sebrae, governos, municípios, instâncias de governança e comunidades tradicionais em diferentes territórios do Brasil, com ênfase na construção de soluções participativas e sustentáveis. Também possui experiência prática na condução de processos vinculados à estruturação de produtos turísticos em territórios indígenas, à aplicação da IN nº 03/2015/Funai, à elaboração de estratégias de posicionamento e à mediação entre comunidade, poder público, parceiros técnicos e mercado. https://linktr.ee/sidneivaranis

A condução técnica do Fórum contribuiu para transformar a programação em uma verdadeira experiência pública de governança aplicada ao etnoturismo. No mesmo espaço, estiveram reunidos territórios indígenas, instituições de apoio, órgãos reguladores, governos, parceiros estratégicos e atores do turismo, fortalecendo a compreensão de que o desenvolvimento do etnoturismo exige cooperação, escuta, planejamento, responsabilidade e continuidade.

O Fórum “DESCUBRA MATO GROSSO – ETNOTURISMO 2026” deixa como mensagem central que Mato Grosso não está apenas apresentando experiências de turismo indígena. O Estado está mostrando ao Brasil um caminho possível de construção coletiva, baseado em protagonismo indígena, segurança jurídica, apoio institucional, valorização cultural e operação sustentável.

O evento também aponta para os próximos passos: ampliar o apoio técnico às comunidades interessadas, fortalecer os Planos de Visitação, criar estratégias de promoção responsável, qualificar a operação turística, articular fontes de recursos, organizar governanças comunitárias e consolidar o etnoturismo como uma agenda de desenvolvimento territorial, cultural e socioambiental.

Ao final, a avaliação é de que o objetivo do Fórum foi plenamente alcançado. A FIT Pantanal 2026 ofereceu o palco; as instituições trouxeram os caminhos; as lideranças indígenas trouxeram a legitimidade, a história e o sentido; e Mato Grosso deu um passo importante para se afirmar como referência nacional na construção responsável do etnoturismo.

Atendendo ao pedido de diversas comunidades indígenas que não puderam estar presentes ao evento em Cuiabá, segue disponível o link de acesso à gravação completa do Fórum: https://youtu.be/_V3m-bu3pnI

O conteúdo fica disponível para consulta, compartilhamento, estudo e fortalecimento das comunidades, instituições e parceiros que desejam compreender melhor os caminhos do etnoturismo indígena em Mato Grosso e no Brasil.

Fotos: @henriquearaujooficial

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