Na noite de 12/02/2026, São Domingos viveu um marco que reposiciona o município no caminho do desenvolvimento: a eleição e posse do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR). Mais do que um ato formal, foi a afirmação pública de uma escolha estratégica — organizar a casa, criar regras claras e transformar potencial em produto, renda e orgulho local.
A reunião consolidou um consenso: o turismo só cresce de forma sustentável quando existe governança, com representação, planejamento, continuidade e capacidade de tomar decisões. Foi nesse espírito que o município deu um passo estruturante para integrar, de forma competitiva, a agenda do turismo da Paraíba e do Brasil.
A base legal que dá segurança e rumo
A instalação do COMTUR está amparada pela Lei Municipal nº 539/2025, que estabelece o Conselho como instância consultiva, propositiva, deliberativa e fiscalizadora, vinculada à pasta municipal responsável pela área, com composição paritária: 10 titulares e 10 suplentes, reunindo poder público e sociedade civil organizada. A mesma lei também estrutura o FUMTUR (Fundo Municipal de Turismo), criando condições para que projetos saiam do papel com transparência, prioridades e deliberação colegiada.
Na prática, a lei cria as condições para São Domingos atuar com profissionalismo: planejar, monitorar, avaliar, fiscalizar e direcionar investimentos, fortalecendo o ambiente para empreendedores, eventos, produtos turísticos e parcerias.
Regionalização: quando o município cresce junto com a região
A eleição do COMTUR acontece em sintonia com o Programa de Regionalização do Turismo (PRT), que organiza o país por regiões turísticas e orienta a atuação prioritária do poder público no setor. Dentro do PRT, o grande instrumento é o Mapa do Turismo Brasileiro, que define o recorte territorial trabalhado de forma prioritária pelo Ministério do Turismo e estrutura a lógica de políticas públicas para o setor.
Estar preparado para essa agenda significa ter governança ativa, comprovações e organização mínima — exatamente o que São Domingos começou a consolidar com a posse do COMTUR.
O Programa ART: o turismo como rota, produto e mercado
Esse avanço também se conecta diretamente ao Programa Agente de Roteiros Turísticos (ART), realizado pelo Sebrae/PB em parceria com o Governo do Estado, com uma meta ambiciosa: ampliar e qualificar roteiros e experiências em todo o território paraibano.
De acordo com a Agência Sebrae de Notícias, em 2024 o programa formatou 26 roteiros, integrando 80 municípios, e na nova etapa mobilizou 21 ARTs para a criação de 44 novos roteiros, alcançando os 223 municípios da Paraíba, com orientação para regionalização, Cadastur e fortalecimento de governança.
Essa política pública também vem sendo destacada no ecossistema estadual de turismo, reforçando a interiorização e a qualificação da gestão municipal.
Em outras palavras: São Domingos não está “sozinho” — está inserido em um movimento estadual de estruturação de produtos, roteiros e mercados.
Os primeiros atrativos e experiências que São Domingos coloca na vitrine
O município já inicia com um portfólio claro e comercializável, com forte apelo para o turismo gastronômico, de experiência e de produção local. Entre os destaques de lançamento estão:
- Cervejaria Voillër – visita guiada e bastidores da produção
- Rota da Cachaça Pai Vovô – vivência no alambique e degustação responsável
- Delícias do Sertão – experiência gastronômica com sabores locais
Essas experiências integram o produto “Vivências em São Domingos”, conectado à lógica regional e com alto potencial para grupos e comercialização.
O mais importante: São Domingos inicia com aquilo que o mercado valoriza — autenticidade, identidade, processo e história. Isso é diferencial competitivo.
Expansão estratégica: Turismo Rural e Turismo Religioso como próximos vetores
Com o COMTUR instalado, a tendência natural é evoluir do “primeiro portfólio” para uma agenda mais ampla, e o município já sinaliza claramealto impacto:
- Turismo Rural: vivências em propriedades, produção local, saberes do campo, agroexperiências, gastronomia de origem e circuitos de fazendas e sítios.
- Turismo Religioso: mapeamento de referências de fé, celebrações, tradições, calendário de eventos religiosos e construção de experiências respeitosas e bem organizadas.
Esse é o tipo de expansão que gera permanência, movimenta a economia local e cria identidade turística contínua — não só “visitas”, mas motivos para voltar.
O Mapa do Turismo: a porta de entrada para políticas públicas e oportunidades
A vontade de São Domingos de ingressar no Mapa do Turismo Brasileiro é decisiva. Além de integrar a estratégia nacional, estar no Mapa amplia a conexão com programas, ações e possibilidades de captação, fortalecendo promoção, qualificação e desenvolvimento.
O próprio governo federal ressalta que a participação no Mapa depende do atendimento a critérios e comprovações — como estrutura de gestão do turismo no município, orçamento, Cadastur, COMTUR ativo, termo de compromisso e articulação regional (IGR).
E desde 2025, o Ministério do Turismo também vem destacando a modernização da categorização dos municípios do Mapa, ampliando variáveis e dimensões ligadas à governança e à realidade do território.
Próximos passos: regimento e planejamento para transformar posse em resultado
A agenda já está definida — e ela é o coração da governança:
📌 Nova reunião presencial com os conselheiros
23 de fevereiro, às 19h, na Prefeitura Municipal
Pauta: Regimento Interno do COMTUR e construção do Planejamento Estratégico.
Esse encontro será o momento de “virar a chave”: sair da instalação e entrar na fase de rotina, metas, prioridades, calendário, responsabilidades e entregas — com foco em resultado e continuidade.
Um começo que aponta para o futuro
A noite de ontem entra para a história porque institui o que sustenta qualquer destino competitivo: governança, regras claras, planejamento e união entre poder público e iniciativa privada. São Domingos inicia com produtos fortes, visão de expansão (rural e religioso) e um objetivo coerente: entrar no Mapa do Turismo e ocupar o lugar que o município merece na regionalização.
O turismo começa a se consolidar quando a cidade decide — coletivamente — que não será apenas “potencial”. Será destino.
