O Vale dos Sertões viveu hoje um daqueles marcos que mudam o ritmo de um território. Reunidos em Pombal, os nove municípios — São Bento, Paulista, Vista Serrana, Malta, Condado, São Bentinho, Cajazeirinhas, Pombal e São Domingos — deliberaram, em conjunto, a criação da Governança Turística Intermunicipal, um modelo prático de organização que nasce para garantir continuidade, eficiência e resultados concretos para o turismo regional.
A decisão representa um compromisso público: o turismo deixa de depender de ações isoladas e passa a ser conduzido por uma estrutura coletiva, com regras claras, responsabilidades distribuídas e capacidade de execução continuada ao longo de 2026 e dos próximos ciclos.
Um resultado direto do Programa ART: do diagnóstico à estrutura que faz o turismo acontecer
Essa conquista é fruto do caminho construído dentro do Programa Agente de Roteiros Turísticos (ART), iniciativa que vem apoiando o território na estruturação de atrativos, formatação de produtos e roteiros, qualificação de experiências e organização de ações de promoção e comercialização.
Na prática, o ART tem servido como “mão na massa” do desenvolvimento turístico: Coordenado pelo consultor Sidnei Varanis (@sidneivaranis), o programa conecta municípios, ativa empreendedores, orienta decisões com método e cria condições para que a região avance com consistência — não apenas com ideias, mas com produtos turísticos organizados, comunicação alinhada e uma agenda de implementação.

Por que criar uma Governança agora: justificativa e propósito
A criação da Governança Turística responde a uma necessidade central do Vale dos Sertões: manter o turismo em movimento de forma permanente, independentemente de mudanças de gestão, de fases do projeto ou de esforços concentrados em poucas pessoas.
Entre as justificativas que sustentam a decisão estão:
- Cuidar do que já foi construído (atrativos, produtos, roteiros, divulgação e articulações) e evitar retrocessos;
- Acelerar a tomada de decisão em grupo, com transparência e participação;
- Dividir responsabilidades e organizar rotinas de entrega, fortalecendo o compromisso de cada município e de cada empreendimento;
- Avançar em gestão, marketing, parcerias, calendário, apoio aos empreendedores, qualificação e comercialização;
- Consolidar o Vale dos Sertões como um território turístico mais competitivo, com padrão mínimo e visão de longo prazo.
Em síntese: a Governança nasce para dar “coluna vertebral” ao turismo regional — estrutura, método e continuidade.
O que aconteceu na reunião de hoje: deliberação, votação e encaminhamentos
Na reunião presencial, os participantes formalizaram a decisão de instituir a Governança Turística Intermunicipal, com votação e validação dos instrumentos-base que organizam o funcionamento do grupo.
Como encaminhamentos prioritários, ficaram direcionadas medidas práticas para colocar a estrutura em operação, incluindo:
- Instalação da Plenária Intermunicipal como instância máxima de decisão;
- Ativação do Comitê Gestor (Executivo), com diretoria composta por Presidente, Vice-presidente, Secretário(a) e Tesoureiro(a);
- Organização e início das Câmaras Temáticas (grupos de trabalho), voltadas às entregas estratégicas;
- Abertura/continuidade do processo de adesão (municípios e empreendedores), estruturando participação, representação e compromissos;
- Início do Planejamento Estratégico 2026, definindo prioridades, metas, responsabilidades e próximos passos do território.
O resultado é objetivo: a Governança não nasce para “ficar no papel”, mas para operar com rotina, entregas e direção.
Pontos centrais do Regimento Interno: regras claras para garantir eficiência
O Regimento Interno estabelece a base de funcionamento e traz elementos essenciais para dar estabilidade e credibilidade ao modelo. Entre os principais pontos:
- Estrutura de instâncias
- Plenária Intermunicipal (Assembleia Geral): instância máxima.
- Comitê Gestor (Executivo): condução e coordenação.
- Câmaras Temáticas: execução técnica e entregas por área.
- Câmaras Temáticas definidas
- Produtos & Roteiros
- Comercialização & Tarifário
- Conformidade
- Comunicação
- Representação e voto na Plenária
- Prefeitura: até 1 voto
- COMTUR: até 1 voto
- Empreendedores/Privado: 1 voto por CNPJ aderente
- Regras de quórum
- 1ª chamada: maioria absoluta (50% + 1) dos votos credenciados
- 2ª chamada: após 30 minutos, com 1/3 dos votos credenciados
- Alteração do Regimento: exige 2/3 dos votos válidos
Esse conjunto garante previsibilidade, evita decisões frágeis e fortalece o caráter democrático e funcional da Governança.
Como funciona a adesão: municípios e empreendedores no mesmo sistema de compromisso
A Governança foi desenhada para ser intermunicipal e aberta à participação organizada, com dois instrumentos formais:
1) Termo de Adesão — Município
O município adere indicando representantes e assumindo compromissos relacionados à participação, organização e alinhamento do turismo local com as ações do território.
2) Termo de Adesão — Empreendimento (CNPJ)
O empreendedor/empresa entra como parte ativa da Governança, com direito a representação (1 voto por CNPJ aderente) e com compromissos práticos, como:
- participação nas decisões e rotinas,
- alinhamento às diretrizes de conformidade (incluindo CADASTUR quando aplicável),
- colaboração com padrões mínimos de operação e regras acordadas (como política comercial/tarifário),
- fortalecimento da comunicação integrada do destino.
Na prática, essa adesão cria um ambiente maduro: quem participa, ajuda a decidir e também ajuda a entregar.
O que muda a partir de agora: visão 2026 para um turismo contínuo e competitivo
Com a Governança instituída, o Vale dos Sertões passa a ter as condições institucionais para:
- consolidar e atualizar portfólio de produtos e roteiros,
- avançar em tarifário, política comercial e parcerias,
- fortalecer comunicação e posicionamento regional,
- evoluir em conformidade e organização do setor,
- construir uma agenda de ações e entregas com ritmo de execução.
Complemento essencial: a Governança nasce para operar — sem substituir o Fórum
Um ponto fundamental reforçado na construção de hoje é que a Governança Turística Intermunicipal dos 9 municípios não substitui o Fórum de Turismo Vale dos Sertões. Pelo contrário: ela surge como uma estrutura executiva e operacional, criada para dar continuidade, ritmo de entrega e organização prática às ações do território, enquanto o Fórum permanece como instância estratégica de articulação, mobilização e fortalecimento político-institucional da região.
Em outras palavras, o Vale dos Sertões passa a contar com duas forças complementares:
- o Fórum, como espaço amplo de representatividade e construção coletiva do território;
- a Governança, como mecanismo de execução e sustentação das ações no dia a dia (produtos, roteiros, comunicação, conformidade, comercialização e agenda de entregas) com foco nos 09 municípios atendidos pelo consultor.
Sem CNPJ neste primeiro momento — e com visão de maturidade
Também ficou pactuado que, nesta fase inicial, a Governança não terá CNPJ. A decisão acompanha uma lógica de implantação inteligente: começar com estrutura, regimento, adesões e rotinas de trabalho, concentrando energia no que gera resultado imediato.
A formalização jurídica poderá ser avaliada futuramente, conforme a evolução do grupo, o volume de parcerias, a necessidade de captação de recursos, execução financeira e responsabilidades administrativas. O tempo — e a maturidade do processo — indicarão se o CNPJ será ou não necessário.
Hoje foi o passo que dá sustentação ao futuro: uma região que decide junto, planeja junto e entrega junto.

