O futuro do turismo passa pelos povos indígenas. Com essa mensagem, a FIT Pantanal 2026 receberá, no dia 04 de junho de 2026, às 14h, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá/MT, o Fórum “DESCUBRA MATO GROSSO – ETNOTURISMO 2026”, uma programação especial voltada ao fortalecimento do etnoturismo e do turismo indígena de base comunitária. O encontro integra o movimento de valorização da diversidade cultural, da ancestralidade, da sustentabilidade e do protagonismo dos povos indígenas na construção de novos caminhos para o turismo brasileiro. A FIT Pantanal 2026 será realizada de 03 a 07 de junho de 2026, promovida pelo Sistema Fecomércio-MT, Sesc/Senac/IPF e Governo de Mato Grosso.
O fórum terá como eixo central o Painel Temático “Etnoturismo: governança, anuência e caminhos para uma operação sustentável”, reunindo lideranças indígenas, autoridades, instituições públicas, especialistas, empreendedores, operadores de turismo e sociedade em um debate qualificado sobre como estruturar experiências turísticas em territórios indígenas com respeito, segurança, organização comunitária e geração de benefícios reais. A programação contará com abertura institucional, painel temático, Vitrine Mato-Grossense do Etnoturismo, momento de perguntas e respostas sobre anuência, governança e operação, além de encerramento institucional.
O turismo de base comunitária é uma das grandes chaves para esse novo momento. Diferente dos modelos turísticos convencionais, ele coloca a comunidade no centro das decisões, permitindo que os próprios povos indígenas definam o que desejam apresentar, como desejam receber visitantes, quais espaços podem ser acessados, quais práticas devem ser preservadas e como os benefícios serão distribuídos. Nesse modelo, o turismo deixa de ser apenas uma atividade econômica e passa a ser uma ferramenta de fortalecimento cultural, educação intercultural, valorização territorial, geração de renda complementar e autonomia comunitária.
Para os povos indígenas, apresentar sua cultura ao visitante não significa transformar tradições em espetáculo. Significa criar um ambiente de respeito, escuta e reconhecimento, no qual o turista compreende a profundidade dos saberes, das histórias, dos grafismos, da gastronomia, das práticas espirituais, da relação com a natureza e dos modos de vida que sustentam cada povo. Quando bem planejado, o etnoturismo gera benefícios diretos, como renda para condutores, artesãos, cozinheiras, jovens, anciãos, grupos culturais e associações comunitárias; e benefícios indiretos, como fortalecimento da autoestima cultural, incentivo à permanência dos jovens no território, valorização das línguas e memórias, melhoria da organização local e ampliação do diálogo com políticas públicas.
A segurança jurídica e operacional será um dos pontos centrais do fórum. A Instrução Normativa nº 03/2015 da Funai estabelece as normas para a visitação turística em terras indígenas, com fundamento no turismo sustentável de base comunitária, especialmente nos segmentos de etnoturismo e ecoturismo. A norma prevê que as propostas de visitação sejam organizadas por meio de Plano de Visitação, apresentado pelos indígenas, suas comunidades ou organizações, definindo regras, responsabilidades, roteiro, conduta, segurança, monitoramento e mecanismos de controle.
A IN nº 03/2015 traz segurança para todos os envolvidos: para as comunidades, porque reconhece seu protagonismo e estabelece critérios de proteção cultural e territorial; para os visitantes, porque orienta a conduta e as responsabilidades durante a experiência; para os parceiros e operadores, porque define parâmetros claros de atuação; e para o poder público, porque fortalece a governança e reduz riscos de ações improvisadas ou desordenadas. A própria Funai reforça que, após a aprovação do Plano de Visitação, cabe às comunidades controlar autorizações de ingresso, exigir termos de responsabilidade, informar regras de conduta, monitorar as atividades e comunicar eventuais ocorrências às autoridades competentes.
Mato Grosso chega a esse debate com forte potencial de liderança nacional. Mapeamento da Sedec apontou que o estado possui 19 etnias desenvolvendo atividades turísticas em seus territórios, entre experiências de pesca esportiva, ecoturismo, turismo cultural, vivências em aldeias, artesanato, gastronomia e observação de aves. Esse cenário demonstra que o estado reúne diversidade cultural, territórios ativos, experiências em construção e condições para se apresentar como referência nacional na organização responsável do etnoturismo.
O avanço dessa pauta também dialoga com o cenário nacional. Em 2025, o Ministério do Turismo apresentou um mapeamento inédito do turismo em comunidades indígenas no Brasil, reunindo informações sobre 146 iniciativas de turismo desenvolvidas por 93 etnias em todas as regiões do país. A iniciativa reforça que o turismo indígena deixou de ser uma pauta isolada e passou a integrar uma agenda estratégica de políticas públicas, desenvolvimento territorial e valorização da ancestralidade.
Outro avanço importante foi a criação, pela Funai, dos Selos Turismo, Ecoturismo e Etnoturismo Indígena, voltados a certificar, reconhecer e fortalecer iniciativas indígenas de turismo de base comunitária em conformidade com a IN nº 03/2015. A medida reforça a importância da formalização, da conformidade, da sustentabilidade e do respeito às práticas culturais das comunidades envolvidas.

A mediação técnica do fórum será conduzida por Sidnei Varanis, consultor de turismo, mediador técnico fixo do Fórum “DESCUBRA MATO GROSSO – ETNOTURISMO 2026” e especialista em turismo de base comunitária, etnoturismo, governança turística e estruturação de experiências em territórios indígenas. Sua atuação será voltada à condução metodológica dos debates, integração entre painelistas, organização das perguntas estratégicas e sistematização dos principais encaminhamentos do encontro, garantindo que o fórum tenha unidade técnica, profundidade institucional e foco prático.
Segundo a proposta do fórum, Mato Grosso tem a oportunidade de transformar a FIT Pantanal 2026 em um marco nacional para o etnoturismo. Mais do que apresentar destinos, o evento pretende mostrar que o turismo indígena precisa ser construído com planejamento, autorização, escuta comunitária, respeito aos territórios, segurança operacional e valorização do conhecimento ancestral. O objetivo é afirmar que o etnoturismo não é apenas uma tendência de mercado, mas um caminho de futuro para um turismo mais humano, responsável, inclusivo e conectado com a identidade brasileira.
Serviço
Evento: Fórum “DESCUBRA MATO GROSSO – ETNOTURISMO 2026”
Painel Temático: Etnoturismo: governança, anuência e caminhos para uma operação sustentável
Data: 04 de junho de 2026, quinta-feira
Horário: 14h
Local: Centro de Eventos do Pantanal – Cuiabá/MT
Programação: Abertura institucional, painel temático, Vitrine Mato-Grossense do Etnoturismo, perguntas e respostas sobre anuência, governança e operação, e encerramento institucional
Mediador Técnico: Sidnei Varanis
Informações: (65) 99242-2343